Talvez por nosso sangue latino, separar as pessoas do problema é uma tarefa muito difícil para nós brasileiros. É muito comum ao se deparar com um problema com alguma pessoa, automaticamente relacionar a pessoa ao problema. Seria muito mais eficaz concentrar energia na busca de uma solução para o problema em conjunto com a outra parte. No exercício da liderança, muitas vezes nos preocupamos em quem vamos colocar a culpa por um problema, ao invés de envolvermos as pessoas nas soluções destes problemas.
Deve-se reconhecer que “o outro” também é uma pessoa e pode ter percepções sobre o mundo e sobre as coisas completamente diferentes das suas pelo simples motivo de ter tido uma história de vida completamente diferente. Educação, ambiente, posição social, acesso a cultura são estímulos que nos fazem ser diferentes um dos outros. A capacidade de ver a situação como o outro lado vê é uma das mais difíceis, porém mais importantes habilidades que um negociador/líder pode possuir. Esta habilidade permite não deduzir a intenções dos outros, faz concentrar-se em como o outro vê o problema ao invés de encontrar culpados.
Perguntar ao invés de afirmar é um comportamento que traz o outro para o seu lado, pois mostra que não somos o dono da verdade, ajudando a desarmar as tensões.
Reconhecer as suas emoções e do “outro” permite que você tenha o controle da situação. Se houver nervosismo, deixe o outro desabafar. Isto vai ajudar a lidar com a raiva, frustração e outras emoções negativas e conseqüentemente não construtivas. Se houver explosões emocionais, não reaja. Isto pode levar a decisões emocionais quando o foco deve ser em decisões ou acordos racionais.
Se em algum momento você precisar reconhecer um erro, o melhor gesto é pedir desculpas. A desculpa é um investimento recompensador.
Comunicação é fundamental e ela pode se tornar impossível quando tentamos agradar a todos. Praticar o hábito de ser bom ouvinte faz toda a diferença. Numa negociação ou na solução de um problema ficar pensando o que vamos dizer a seguir ou como vamos responder uma pergunta antes dela ter sido terminada faz com que você não escute o que o outro está dizendo/perguntando. Portanto, escute ativamente e registre o que o outro está dizendo e compreenda. Compreender não significa concordar. Se você conseguir compreender, escutando ativamente, a probabilidade de você estruturar um argumento eficaz é infinitamente maior.
Não subentenda nada. Você deve falar (e com objetivo) para ser entendido. Se for difícil para a outra pessoa entender, procure usar exemplos do cotidiano da outra pessoa.
Estes parágrafos são uma resenha de um livro de negociação. Se você não soubesse desta informação, não diria que é de um livro de liderança? Estes principios não servem assertivamente para liderar e para negociar ?



Buenas Marcelo,
Excelente post! É realmente comum fazermos julgamentos antecipados e sempre associarmos eventuais problemas as pessoas que estiveram envolvidas.
Este texto me fez lembrar dos livros do Dale Carnegie
Grande abraço
Vicente.
Vicente,
Obrigado por seu comentário. Fiz alguns cursos do Dale Carnegie e realmente eles citam muito isto. No post que fiz hoje (Concentre-se nos interesses e não nas posições) também fala um pouco sobre o tentar adivinhar o que os outros querem/pensam, quando o mais simples é perguntar.
Grande abraço,
Boa tarde,
Estou a fazer um trabalho pa faculdade de Integração e Negociação e o seu blog está a ajudar imenso!
Obrigado.
Hugo,
Fico feliz em saber que os posts estão ajudando, principalmente fora do Brasil. Sinta-se a vontade e se necessitar de algo, estou a sua inteira disposição.